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2 de fev de 2010

Você tem fome de que?

Inspirada pela minha ídola Jane Murback (oi, Jay!), do Mulheres (Im)Possíveis, que escreveu um post com o título de "Quem fala demais dá bom dia a cavalo", fiquei pensando nesses ditos polulares, essas expressões que usamos quase como muleta. E daí que eu tenho umas revistas antigas, que herdei da minha avó Dila, onde um cronista muito bom, o José Amádio, escreve uns textos bem interessantes. E daí que eu resolvi postar alguns destes textos (bem devarinho), em especial aqueles que tem máximas de sabedoria popular. Leiam! São curtinhos, gostosos e bem digeríveis.
Falando em "digerir' - eu estou pensando com o estômago hoje - vou começar com a série "Quem come seus males engorda", capítulo "Homem & Mulher". Lá vai:

" Um ser normal (existe isso?) come para viver. O guloso vive para comer. Daí, vou misturar fome e gula nesta saladinha tropicalista. Assim: rosa tem fome de abelha. Paisagem tem fome de folhinha de parede. Areia tem fome de espuma. Gato capão tem fome de almofada. Cuíca tem fome de gato. Solteirona tem fome de canário. Cigarro tem fome de tragada. Como se vê, ninguém, como eu, desenvolveu com tanta perfeição a arte de não dizer nada. Posso seguir até que as paralelas se encontrem no infinito: violino tem fome de arco. Perfume tem fome de olfato. Mulher tem fome de homem. Homem tem fome de mulher. Mulher tem fome de mulher. Bem: quando isso acontece, dá livro de Miller. Ou filme de Bergman."

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