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13 de jan. de 2010

Meu planeta, adeus.

O que a molecada de dez anos faz hoje em dia? O que eu fazia com dez anos de idade, no meio dos anos 80? Eu fazia coisas que não eram próprias para a minha idade. Além de dançar jazz (não vou falar mais disso!), eu trocava papel de carta com as minhas amigas. Para quem nasceu bem depois dessa época, preciso explicar que as meninas de então colecionavam papéis de carta, lindos, decorados e, às vezes, perfumados. A intenção era trocar os exemplares repetidos e aumentar a coleção. E a coisa toda acontecia como numa reunião de Tupperware. Mas, esse post não é sobre isso, eu quero falar de outro assunto.

Eu vivia entre adultos, gostava de assuntos adultos, gostava de ouvir músicas que não deveria ouvir, queria ir ao Rock’n’Rio - coisa impossível quando se tem dez anos . E, provavelmente por esse interesse pelo que não me convinha, é que eu andava preocupada com o fim do mundo. Sim, amigos. Eram tempos de 'guerra fria', de bomba atômica, de filmes como The Day After e de Fred Mercury cantando “Radio Ga-Ga”.



Eu me lembro de me deitar no chão do quintal, durante as tardes, e ficar olhando as nuvens se moverem no céu. Eu não pensava em como elas mudavam de forma, mas pensava que talvez não fosse vê-las no dia seguinte. Preocupação nada típica para quem é só uma menina, e deveria brincar de boneca. Eu até brincava de boneca, fazia roupinhas, cozinhava pra elas. Mas, a idéia de que uma bomba destruiria a humanidade era muito mais forte. Não sei dizer por quanto tempo durou essa paranóia infantil. Se fui tão encucada por dois dias ou por dois anos. No fundo, não importa. A lembrança de ver as nuvens e, mentalmente ouvir Rádio Taxi cantando “Eva”, é muito clara pra mim.




Eu, pensando alto: "Se eu fechar os olhos, ainda vou
ver aquelas nuvens. Mas hoje elas, simplesmente, mudam de forma."

3 de jan. de 2010

Ballet & Jazz

Eu tenho uma amiga bailarina, a Natália. Não, a Nat não é como aquela pobrezinha da música “Ciranda da Bailarina”. Ela é uma bailarina bem real, que eventualmente pode ter uma calcinha um pouco velha, goteira na vasilha, dente com comida ou casca de ferida. Ela é ótima!

Outro dia, conversamos sobre dança. Ela estava apreensiva porque faria uma apresentação um pouco diferente, num teatro em Pernambuco. Ao invés do ballet clássico, ela dançaria jazz . No dia da apresentação, o teatro lotado, Natália me contou que sentiu um frio na barriga, comum àquelas pessoas que se importam com o que fazem e ainda se emocionam quando pisam no palco. Um medo de errar, ou de cair ou ter algo ‘escapando’ do decote. Típico! Mas, correu tudo bem e ela foi um sucesso.

Esse papo com a Natália me fez lembrar de quando eu era criança e também fazia aulas de jazz. O que é uma das piores lembranças da minha vida! Eu não levava muito jeito pra coisa, as coreografias eram mecânicas demais (ou eu era mecânica demais?) e o figurino era de um ridículo tal, que eu nem me atrevo a mostrar uma foto desse meu passado negro. Eu era super magra, quase um palito de polainas. E as músicas vinham, invariavelmente, de Flashdance. E quer saber o que é mais irônico? Herdei da minha mãe o LP da trilha sonora do filme! Pode!?

Eu, pensando alto:”Existe coisa mais anos 80?”
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